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Brasil 'empata' em desigualdade e toma goleada da Rússia em educação

Parte do grupo de emergentes que surfou a onda do boom das commodities, países tentam se recuperar de dois anos de recessão; confira as muitas semelhanças, e algumas diferenças, entre suas economias. Assim como o Brasil, a Rússia também passou por uma recessão em 2015 e 2016 Getty Images Países com diferenças históricas, climáticas e culturais à primeira vista inconciliáveis, o Brasil e a Rússia, sede da Copa, há quase 20 anos fazem parte do mesmo grupo de emergentes, os Brics, graças às características que têm em comum na economia. Assim como Índia, China e África do Sul, os demais países que compõem a sigla, ambos viveram um ciclo de prosperidade até 2010, impulsionado também pelo aumento nos preços internacionais de commodities – o petróleo no caso da Rússia e a soja e o minério de ferro, no do Brasil. Quase dez anos depois, contudo, o cenário é outro: os dois países tentam se recuperar depois de dois anos de recessão e, tanto lá quanto aqui, a retomada é lenta. A "ressaca" após período de boom econômico, avaliam especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, também é reflexo das similaridades entre as duas economias. Ambas dependem da exportação de produtos básicos, cujos preços recuaram, perdem com a baixa produtividade do trabalho e com a falta de inovação na indústria. Ao contrário do Brasil, entretanto, a dívida pública russa praticamente não subiu durante a crise – avançou de 15,9% do PIB para 17,4% entre 2015 e 2017, contra um salto de 72,5% do PIB para 83,9% aqui – e a taxa de desemprego não foi além dos 5%, em parte por pressão do governo Putin para que as empresas não demitissem. Ma sisso não quer dizer a população não tenha sentido os efeitos da recessão. Os salários encolheram durante esse período, e os russos ainda não recuperaram seu poder de compra. Em ambos os países, a renda é altamente concentrada. A Rússia tem 101 bilionários – mais que o dobro do Brasil –, e 20 milhões estão abaixo da linha de pobreza, levando em conta as estimativas do governo, consideradas conservadoras. Apesar da desigualdade elevada, contudo, o país tem desempenho compatível com o de países europeus nos rankings internacionais de avaliações de alunos, como o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) – uma diferença marcante, já que o Brasil ocupa as últimas posições da lista e tem o pior resultado quando se leva em consideração os testes de matemática. O analfabetismo foi erradicado ainda antes da Segunda Guerra e praticamente não existem crianças fora da escola, conta a professora Elena Vássina, natural de Moscou, que dá aulas de literatura e cultura russa na Universidade de São Paulo (USP). "Com três ou quatro anos as crianças já começam a decorar poemas de (Alexander) Pushkin na escola", diz ela, que embarca neste sábado para o país da Copa para assistir aos jogos em casa. Recessão com inflação alta O colapso nos preços do petróleo é apontado como principal responsável pela crise econômica que fez o PIB da Rússia encolher 2,5% em 2015 e 0,2% em 2016 – tombo menor que o do Brasil, de 3,5% em cada um dos dois anos. Cotado a mais de US$ 100 até o início de 2014, o barril chegou a valer menos de US$ 30 em 2016. A commodity é o principal produto de exportação dos russos, representando cerca de 50% de tudo o que país vende ao exterior, entre petróleo cru, refinado e gás. Além da queda nos preços, as sanções econômicas impostas à Rússia pelos Estados Unidos e União Europeia em 2014, logo após a anexação da Crimeia – região que estava sob o controle da Ucrânia – também tiveram papel importante na crise, acrescenta Nafez Zouk, da consultoria Oxford Economics. Com menos exportações, o volume de dólares no país diminuiu. Para evitar que a Rússia "vendesse todas as suas reservas" na tentativa de segurar a cotação da moeda americana, o Banco Central passou a adotar o regime de câmbio flutuante, explica o economista, e deixou o rublo desvalorizar. A moeda chegou a perder 50% do valor nesse período e provocou um salto na inflação, que chegou a ficar ainda mais alta que no Brasil. Em 2015, atingiu 12,9%, contra 10,67% por aqui. Desemprego baixo e 'contratação três por um' A trajetória do desemprego mostrada pelos dados oficiais, entretanto, praticamente não se alterou. Enquanto no Brasil a taxa atingiu 12,8%, na Rússia ela não passou de 5,6%. Isso se explica, em parte, pelo chamado "desemprego oculto", que cresceu nesse período, diz o economista russo Victor Krasilshchikov. Incentivadas pelo governo, as empresas reduziram as remunerações e mantiveram o volume de contratações de novos empregados. "Elas contratam três pessoas com o salário de uma", diz o especialista, que é chefe do grupo de pesquisa do Centro de Estudos do Desenvolvimento do Instituto Nacional de Pesquisa de Economia e Relações Internacionais (Imemo). "Existe uma pressão política para não demitir", concorda William Jackson, da Capital Economics, acrescentando que, além do corte nos salários, as empresas também reduzem as horas de trabalho e dão férias coletivas para evitar cortes de pessoal. Com o aumento da inflação e a redução dos salários, contudo, a renda do trabalho vem encolhendo de forma contínua desde a crise, diminuindo o poder de compra dos russos. "O consumo foi o que mais sentiu (os efeitos da recessão). O fardo da crise recaiu majoritariamente sobre os trabalhadores", avalia Zouk, da Oxford Economics. Apesar da recuperação dos preços do petróleo, que favorece a retomada da economia do país, o economista pondera a Rússia enfrenta entraves similares aos do Brasil – problemas estruturais que diminuem seu potencial de crescimento, como a baixa produtividade do trabalho, a falta de inovação e a economia relativamente fechada e pouco competitiva. Um dos países com maior concentração de riqueza Com 101 bilionários – contra 43 no Brasil –, a Rússia está entre os países que mais concentra riqueza no mundo, conforme o Global Wealth Report do banco Credit Suisse. Os 10% mais ricos detêm 77,4% de toda a riqueza do país, contra 72,3% no Brasil. O economista Tony Schorrocks, um dos autores do levantamento, que há dez anos trabalha na base de dados, explica que a estimativa leva em consideração todo o patrimônio pessoal, de propriedade a ativos financeiros, descontadas as dívidas. É diferente, por exemplo, do indicador da desigualdade de renda usado pelo Banco Mundial. Tomando essa medida, os 10% mais ricos na Rússia acumulam quase 30% dos rendimentos, enquanto no Brasil o percentual sobe para pouco mais de 40%. "Essa é uma medida (a concentração de riqueza) importante quando se analisa, por exemplo, a mobilidade social entre as gerações e a persistência da desigualdade. Os filhos não herdam a renda do trabalho dos pais, mas o patrimônio", ele pondera. "Além disso, os ricos não gastam seu dinheiro só em produtos de luxo. Eles, em muitos casos, têm influência sobre a mídia e fazem grandes doações a partidos políticos", acrescenta. No caso da Rússia, diz o economista, a concentração seria em parte reflexo da transição do regime comunista da União Soviética, em que praticamente não havia propriedade privada, para o capitalismo. Nas últimas décadas, um grupo pequeno de pessoas influentes explora os principais recursos do país – não por acaso, os bilionários russos no topo da lista atuam no setor de óleo e gás e na indústria do aço. Na base da pirâmide, as estatísticas oficiais apontam que pouco mais de 13% da população do país, 20 milhões, está abaixo da linha de pobreza, estabelecida em pouco mais de 10 mil rublos (cerca de US$ 155) pelo governo. Krasilshchikov, economista do Imemo, pondera que, se levada em conta a métrica usada pelas Nações Unidas para definir pobreza – se a família gasta mais da metade da renda para comprar alimento –, 30% dos russos seriam considerados pobres. A pobreza é maior nas pequenas cidades rurais – onde vive um quarto da população, contra 14% no Brasil –, diz o economista, do que nos grandes centros, como Moscou e São Petersburgo. Dostoiévski no 'ensino médio' Apesar da desigualdade elevada, o acesso à educação pública de qualidade na Rússia é quase universal, diz a professora Elena Vássina, que se divide entre São Paulo e Moscou. Herança do período comunista, o programa de ensino é igual em todo o território e há boas escolas mesmo nas cidades menores. "O ensino era muito ideologizado, mas o comunismo investiu muito em educação. É uma tradição russa que vem desde o século 18", ela ressalta. Clássicos como Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, e Guerra e Paz, de Liev Tolstói, ela conta, são leituras obrigatórias para os jovens de 15 e 16 anos. Nos cursos de literatura nas universidades, a carga horária é três vezes maior do que na USP, por exemplo, onde Vássina leciona. Não por acaso, o desempenho do país em avaliações como o Pisa é muito superior ao do Brasil. Tanto nos testes de leitura quanto nos de matemática, a Rússia está acima da média da OCDE, que reúne as economias mais desenvolvidas do mundo. O Brasil segue na lanterna. É o pior em matemática e tem o terceiro pior desempenho em leitura, atrás do Peru e da Indonésia. A austeridade fiscal de Putin Das diferenças entre os dois países, a trajetória das contas públicas também chama atenção. Desde meados dos anos 2000 a dívida bruta do governo está relativamente estável, e assim se manteve também durante a recessão. No Brasil, os reiterados deficits nos resultados do governo – que hoje gasta mais do que arrecada – e a trajetória de crescimento da dívida são considerados um dos maiores riscos de médio prazo para a economia. "A austeridade fiscal na Rússia talvez venha da memória do que aconteceu nos anos 90", afirma Jackson, da Capital Economics, referindo-se à crise da dívida russa, quando o país decretou moratória e teve de renegociar a dívida externa. Putin manteve as torneiras fechadas durante a crise e conseguiu se reeleger neste ano mesmo com a política fiscal contracionista – ou seja, com redução do gasto público –, geralmente impopular. "No momento atual da política na Rússia, em que Putin governa quase em um sistema autocrático, praticamente não existe oposição e inquietação social. Muitas vezes você tem que engolir e aceitar (as medidas do governo)", diz Zouk, da Oxford Economics.

Chances da Copa: Dinamarca x Austrália; França x Peru e Argentina x Croácia

Para os jogos desta quinta-feira (21), três matemáticos da Escola de Matemática Aplicada da FGV apostam em vitória da Dinamarca sobre a Austrália, da França sobre o Peru e da Argentina sobre a Croácia. Eles analisaram 4.010 jogos entre seleções desde o início da Copa de 2014, incluindo 222 seleções, para fazer as previsões. Entenda aqui como funcionam os cálculos. Chances de vitória em jogo entre Austrália e Dinamarca FGV Chances de vitória em jogo entre França e Peru FGV Chances de vitória em jogo entre Argentina e Croácia FGV Minha previsão Nem sempre os números batem. Para ter uma segunda opinião, montei os mesmos modelos com a minha previsão. Dinamarca x Austrália França x Peru Argentina x Croácia

Mais da metade dos cotistas do PIS abaixo de 60 anos são de SP, RJ e MG, diz Caixa

Caixa é responsável pelo pagamento dos recursos do PIS, o que corresponde a cerca de 80% do total, e o Banco do Brasil administra recursos do Pasep; fundo foi liberado para todas as idades. Começa o pagamento dos recursos do fundo PIS-Pasep Levantamento divulgado pela Caixa Econômica Federal mostra que 58,8% dos saques do Fundo PIS por cotistas menores de 60 anos serão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Do total de R$ 13,8 bilhões que serão liberados para quem tem até 59 anos de idade pelo banco, R$ 8,1 bilhões serão sacados nos três estados. Além disso, 55,96% dos cotistas são das três unidades da federação (7,6 milhões do total de 13,6 milhões). Começou na segunda-feira (18) o pagamento dos recursos do Fundo PIS-Pasep para quem tem a partir de 57 anos. Têm direito a esse dinheiro os trabalhadores de organizações públicas e privadas que contribuíram para o PIS ou para o Pasep até 4 de outubro de 1988 e que não tenham resgatado todo o saldo. Quem passou a contribuir após essa data não tem saldos para resgate. A Caixa Econômica Federal é responsável pelo pagamento dos recursos do PIS, o que corresponde a cerca de 80% do total, e o Banco do Brasil é responsável pelo pagamento dos recursos do Pasep (cerca de 20% do total). Total de cotistas e valores por estado VEJA PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O PIS-PASEP Calendário A Caixa e o Banco do Brasil divulgaram na semana passada o calendário de saques para os beneficiários de todas as idades. Segundo os dois bancos, nesta primeira etapa serão contemplados cerca de 4,7 milhões de cotistas, no total de R$ 8,61 bilhões - 2,9 milhões com direito ao PIS (R$ 4 bilhões) e 1,8 milhão com direito ao Pasep (R$ 4,61 bilhões). Nesse balanço, a Caixa contabiliza os cotistas com idades entre 57 e 59 anos, e o Banco do Brasil, todos os cotistas com idade a partir de 57 anos. Os beneficiários poderão sacar o dinheiro diretamente nas agências até o dia 29 de junho, uma sexta-feira. Depois os pagamentos ficarão suspensos até o dia 7 de agosto. A partir de 8 de agosto, recebem o dinheiro em conta os correntistas de todas as idades da Caixa e BB, no total de R$ 5 bilhões. E a partir do dia 14 de agosto, estão liberados os saques para os cotistas de todas as idades, incluindo os que não realizarem o saque na primeira etapa. Todos esses beneficiários com menos de 60 anos terão até o dia 28 de setembro para sacar o dinheiro. Quem deixar para sacar as cotas do Fundo PIS-Pasep em agosto terá os saldos das contas corrigidos com base no rendimento obtido nos últimos 12 meses pelo fundo, e a estimativa é de um aumento entre 8% e 10%. Por exemplo, quem tiver o saldo na conta de R$ 1.000 vai receber de R$ 1.080 a R$ 1.100. A correção aplicada no ano anterior foi de 8,9%. Calendário do Fundo PIS-Pasep da Caixa e BB Igor Estrella/G1 Depois do dia 28 de setembro, volta a valer a regra de liberação dos saques somente para os casos de aposentadoria, idade a partir de 60 anos, invalidez (inclusive do dependente), morte do cotista (habilitando o herdeiro a sacar) e algumas doenças graves, como câncer, aids, Parkinson e tuberculose (incluindo o dependente). Nesses casos, é possível fazer os saques a qualquer momento, sem necessidade de seguir cronograma, e o prazo continua aberto por tempo indeterminado. Como as cotas do Fundo PIS-Pasep vigoraram durante um período específico, muitos beneficiários desconhecem esse direito e, no caso de morte do cotista, os herdeiros também não sabem que têm direito ao dinheiro. Total de beneficiários O total de beneficiários é de 28,7 milhões de pessoas, somando R$ 39,3 bilhões - 12,5 milhões com idade a partir de 60 anos que têm direito a sacar R$ 23,2 bilhões e 16,1 milhões de pessoas com menos de 60 anos com direito a sacar R$ 16,1 bilhões. Até maio, 3,6 milhões de beneficiários com idade a partir de 60 anos haviam sacado R$ 5 bilhões, restando 25 milhões de pessoas para sacar o total de R$ 34,3 bilhões, segundo levantamento do Ministério do Planejamento. No caso dos cotistas que têm menos de 60 anos, os do PIS são 13,6 milhões, com direito a receber R$ 13,8 bilhões, segundo a Caixa. O total de cotistas, levando em conta também quem tem mais de 60 anos, é de 21,3 milhões, totalizando R$ 28,1 bilhões. No caso do Banco do Brasil, são 2,4 milhões de participantes com idade inferior a 60 anos, em um total de R$ 2,3 bilhões. O BB administra 3,67 milhões de cotas do Pasep, totalizando R$ 6,1 bilhões. O que são os Fundos PIS-Pasep Os fundos do PIS e do Pasep funcionaram de 1971 a 1988 e davam direito ao trabalhador de receber o rendimento das cotas e sacar o dinheiro em caso de aposentadoria, doença grave ou ao completar 70 anos. A partir de outubro de 1988, após a promulgação da Constituição, a arrecadação do PIS-Pasep passou para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que faz empréstimos a empresas. Em meio à mudança, muitos que tinham direito ao dinheiro não sacaram os recursos. Por isso, o governo tem ampliado o limite de idade e estipulado calendários para incentivar os saques e injetar dinheiro na economia. Os saques para aposentados, idosos com idade a partir de 60 anos e herdeiros de cotistas falecidos continuam liberados, sem necessidade de calendário de pagamento.

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